Jornal O Norte

João Pessoa, Quarta-Feira, 07 de Janeiro de 2009

Internacional


Irã quer usar petróleo contra Israel

ATAQUE A GAZA Governo iraniano pode reduzir fornecimento petrolífero para pressionar Israel a suspender ofensiva

O governo do Irã disse ontem estar disposto a utilizar "qualquer medida política e econômica" contra Israel e os países que o apóiam para conseguir o fim dos ataques contra a Faixa de Gaza. O anúncio aconteceu no mesmo dia em que o barril da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) registra um forte alta de 12%.

O porta-voz do Ministério de Exteriores iraniano, Hassan Ghashghavi, referiu-se, assim, a declarações de um general iraniano que disse que, em represália pelo ataque contra Gaza, os países muçulmanos deveriam cortar o fornecimento de petróleo às nações que apóiam Israel.

"O Irã adotará qualquer medida política e econômica contra o regime sionista, e contra os países que o apóiam, para impedir a continuação dos crimes (em Gaza)", disse ontem o porta-voz da diplomacia iraniana.

Ghashghavi respondeu, assim, a uma consulta sobre declarações feitas na véspera pelo general Mirfeysal Bagherzadeh, que sugeriu que os países muçulmanos cortem o fornecimento de petróleo às nações que apóiam Israel, em represália aos ataques contra a Gaza.

"O petróleo pode servir como um fator potente para pressionar os Estados Unidos e os países europeus que apóiam o regime sionista", afirmou o chefe militar iraniano, acrescentando que o corte do fornecimento de petróleo "pode ser uma das táticas do mundo do Islã para apoiar os inocentes palestinos".

O Irã é o segundo maior produtor entre os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), depois da Arábia Saudita.

O porta-voz do Ministério de Exteriores iraniano se mostrou partidário de adotar as medidas adequadas para conseguir o fim dos ataques contra Gaza e a suspensão do bloqueio sofrido pelo território palestino há um ano e meio. "No Irã, estamos dispostos a agir para tornar realidade estes passos", acrescentou o porta-voz oficial.

Além disso, Ghashghavi pediu ao Governo do Egito que "cumpra sua obrigação histórica e moral a respeito do povo de Gaza", em referência à decisão do Cairo de manter fechada a passagem fronteiriça de Rafah, a única que liga Gaza ao exterior. "Levando em conta o passado histórico do Egito (...) e sua luta contra o regime sionista em 1973, o mundo espera que este país cumpra seus compromissos históricos para ajudar as pessoas em Gaza", disse.

População precisa de comida e remédios

A população de Gaza necessita urgentemente de alimentos e insumos hospitalares, disseram agências humanitárias ontem, acrescentando que as ações militares de Israel estão dificultando o trabalho de assistência aos civis. O frio também agrava o drama das crianças apanhadas pelo conflito. E já há escassez de sacos para cadáveres.

"A situação em Gaza desde que as Forças de Defesa de Israel lançaram sua ofensiva terrestre, no sábado à noite, se tornou caótica e extremamente perigosa", disse um boletim do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Os bombardeios danificaram hospitais, a rede de água, prédios públicos e mesquitas, segundo o CICV, cujos funcionários estão tendo dificuldades em se deslocar para ajudar os necessitados.

MORTES

Desde o início da ofensiva, no dia 27, cerca de 530 palestinos já morreram, sendo pelo menos um quarto deles civis. Israel diz que está tentando conter os disparos de foguetes de militantes islâmicos contra o seu território.

No sábado, após uma semana de bombardeios aéreos e navais, tropas terrestres invadiram o território litorâneo, que tem 1,5 milhão de habitantes e é governado pelo grupo islâmico Hamas.
O CICV disse que os hospitais estão lotados e que há necessidade urgente de analgésicos e anestésicos, mas também de sacos para cadáveres e de lençóis para envolvê-los.
Por causa dos danos à rede elétrica, os hospitais dependem de geradores, que podem pifar a qualquer momento.

O trabalho no terreno também é perigoso para o pessoal médico. Três paramédicos e três voluntários já foram mortos, e aviões bombardearam a União do Atendimento Médico, na Cidade de Gaza, e destruíram quatro ambulâncias, segundo fontes médicas palestinas. O Crescente Vermelho Palestino (ligado à Cruz Vermelha) disse que os combates impedem as ambulâncias de atenderem a muitos chamados.
Funcionários do grupo Save the Children começaram a distribuir alimentos a famílias no domingo, mas os ataques aéreos e embates em terra tornaram as ações de ajuda perigosas, disse a agência em comunicado."A situação alcançou um nível crítico para as crianças que estão expostas e sofrendo com a violência, medo e incerteza", disse a chefe de equipe da organização Save the Children Annie Foster.

ONU defende abertura de rotas de fuga para palestinos

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, António Guterres, pediu ontem um "estrito respeito" aos princípios humanitários no conflito de Gaza, principalmente o que garante o direito de toda pessoa que foge de uma guerra de buscar segurança em outro país.

Apesar de por enquanto não ter sido observado um deslocamento em massa da população por causa do bloqueio imposto por Israel sobre o território palestino, o representante das Nações Unidas lembrou aos países vizinhos sua responsabilidade de dar segurança aos civis que fogem da violência.

A ONU pediu que se mantenham abertas e em segurança todas as fronteiras e rotas de acesso a seus territórios, de modo que os palestinos possam entrar sem obstáculos.
Também reivindicou que se permita a entrega da ajuda humanitária às vítimas civis do conflito, facilitando seu acesso pelo Egito e por Israel.

ESTADOS UNIDOS

O presidente norte-americano, George W. Bush, disse ontem que qualquer esforço de trégua para encerrar a crise em Gaza deve incluir ações que previnam o lançamento de foguetes em Israel pelo Hamas na faixa costeira.

"Em vez de se importar com o povo de Gaza, o Hamas decidiu usar a região para lançar foguetes e matar israelenses inocentes", disse Bush a jornalistas após uma reunião na Casa Branca com uma autoridade do Sudão. "Obviamente, Israel decidiu se proteger".

"Qualquer medida de trégua precisa ter condições para que o Hamas não use Gaza como um lugar para lançar foguetes", acrescentou Bush.

SAIBA MAIS

O movimento islamita palestino Hamas acusou ontem o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de "total parcialidade" em favor de Israel por tê-lo acusado minutos antes, em Ramallah (Cisjordânia), de agir de forma "irresponsável e imperdoável”. As declarações de Sarkozy traduzem "uma parcialidade total em relação ao ocupante (israelense) e um apelo franco ao prosseguimento do holocausto em curso em Gaza", declarou o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum.

Sarkozy havia afirmado antes, após um encontro com o presidente palestino Mahmud Abbas, em Ramallah, que ao recusar a trégua e ao retomar os disparos de foguete contra o Estado hebreu, "o Hamas agiu de forma imperdoável e irresponsável. O Hamas tem uma grande responsabilidade no sofrimento dos palestinos em Gaza", disse.

Sarkozy chegou ao Egito, no início de uma viagem em que se reunirá com líderes-chave da região, tanto árabes quanto israelenses, em uma negociação que se desenvolve simultaneamente a outra da União Européia.

A agenda de Sarkozy inclui uma visita à Cisjordânia, para se reunir com Mahmoud Abbas. Depois, Sarkozy seguirá para Jerusalém, para conversar com as máximas autoridades israelenses, e hoje viajará à Síria e ao Líbano.

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Obama quer cortar US$ 300 bi de impostos

O plano econômico que vem sendo elaborado pelo presidente eleito Barack Obama e pelos congressistas democratas incluirá reduções de impostos no valor de US$ 300 bilhões, o qual poderia atrair o apoio dos republicanos. Obama começou ontem as reuniões com dirigentes do Congresso, aos quais pediu que aprovem seu plano de estímulo econômico e o deixem pronto para ser promulgado assim que ele iniciar seu mandato, em 20 de janeiro.

A economia dos EUA está em recessão desde dezembro de 2007 e, desde junho do ano passado, cresceram as demissões, as execuções de hipotecas, e as quebras de indústrias, bancos e empresas de serviços.

A magnitude dos cortes de impostos propostos, que representariam ao redor de 40% do plano de estímulo - cujo total pode chegar a cerca de US$ 775 bilhões em dois anos -, é maior do que o antecipado por ambos partidos no Congresso.Em outubro, o Congresso aprovou e o presidente George W. Bush promulgou um plano de US$ 700 bilhões.

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Neve fecha aeroportos na Alemanha

As intensas nevascas e o gelo causado pelas baixas temperaturas levaram nesta segunda-feira a Alemanha ao fechamento de estradas e aeroportos, além de interrupções no tráfego fluvial e grandes atrasos em ferrovias, informaram fontes oficiais. As nevascas e a formação de placas de gelo dificultam o tráfego rodoviário em toda a Alemanha.

Na Renânia do Norte-Vestfália (oeste) se acumularam até 15 centímetros de neve em menos de 24 horas, enquanto em Chemnitz (Saxônia, leste) foram superados os 30 cm.

No aeroporto de Düsseldorf (oeste) os aviões não puderam aterrissar ou decolar durante mais de três horas. Segundo Christian Witt, porta-voz do aeroporto de Düsseldorf, foi impossível liberar o tráfego de aviões por causa da grande quantidade de gelo e foi necessário desviar os que chegavam para outros aeroportos próximos.

Cerca de 50 operações de decolagem ou aterrissagem foram suspensas e cerca de 40 vôos foram cancelados ou atrasados e muitos passageiros não tinham conseguido chegar ao aeroporto.

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