Jornal O Norte

João Pessoa, Quarta-Feira, 07 de Janeiro de 2009

Construtor


Palácio do Planalto passará por reforma com custo de R$ 88 mi

MESMA LINHA Projeto da reforma é do arquiteto Oscar Niemeyer, autor da obra original construída entre 1958 e 1960. Há 30 anos não havia intervenções significativas no local

O Palácio do Planalto será reformado após 30 anos sem intervenções significativas. O edital da licitação, publicado no diário oficial em 22 de dezembro, prevê orçamento próximo dos R$ 88 milhões e prazo de um ano para a entrega da obra.

O projeto da reforma foi realizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, autor da obra original construída entre 1958 e 1960. O arquiteto de 101 anos entregou o projeto da reforma ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 11 de dezembro de 2008. Na ocasião, Lula afirmou que o edifício de 36 mil m² teria virado "uma favela", por conta das intervenções realizadas ao longo do ano e que teriam descaracterizado o conceito original do projeto.

Entre as intervenções, está a mudança do acesso e recepção para o centro do salão térreo, que passará a ter um sistema de cadastramento único dos funcionários e dos visitantes. O acesso lateral será mantido para as autoridades e convidados. O segundo e terceiro pavimento não sofrerão mudanças significativas, apenas haverá uma reorganização dos espaços. No segundo pavimento estão os salões Leste, Nobre, Oeste (onde ocorrem as cerimônias), a Sala de Reuniões e a Secretaria de Comunicação Social. Já no terceiro andar, estão o gabinete da presidência e de seus assessores diretos. No quarto pavimento, haverá redução dos gabinetes para a criação de um saguão voltado para a Praça dos Três Poderes, área de estar para os funcionários e visitantes.

As instalações também foram redimensionadas e reavaliadas pelo arquiteto. As principais mudanças estão relacionadas à climatização, elétrica, dados, voz e imagem, hidrossanitária, detecção, prevenção e combate a incêndio, sistema de proteção contra descarga atmosférica, supervisão, automação e controle predial.

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CONSTRUÇÃO CIVIL - Crise moral

Irenaldo Quintans, Presidente do SINDUSCON/JP - e-mail: iquintans@uol.com.br

Repasse comigo, caro leitor, como intróito para o artigo de hoje, uma cena que assisti (ou vivi) por esses dias de festa: uma família de classe média alta reunida em torno do pinheirinho recheado de presentes e do apetitoso peru de Natal, tendo como trilha sonora e pano de fundo uma comovente reportagem sobre os sem-teto miseravelmente arranjados sob as marquises dos viadutos do Brasil. As risadas, bocados e goles misturando-se às lágrimas desesperadas vertidas pelo pai de família desabrigado. Parece-lhe verossímil? Estou certo que sim.

Pois bem. Tornadas banais graças à superexposição, tais demonstrações põem a nu o abismo que está sendo escavado dia após dia, com a pá da especulação financeira desenfreada, cujas paredes são caliçadas com o consumismo endêmico. Uma espécie de crise moral. Observe que o alheamento e o beneplácito social em relação ao "status quo" econômico pautado no consumo, poção mágica para a prosperidade, chegou a um ponto tal que mesmo nosso presidente Lula, no afã de afastar de si a culpa por uma eventual recessão, conclama a população, em rede nacional, a comprar "com responsabilidade". E o que faz quem não pode comprar, nem com toda a responsabilidade do planeta?

Só uma resposta me ocorre: para muito além do decantado colapso financeiro que encerra o ano conosco, há uma nuvem que escurece o horizonte no longo prazo. Oxalá um sinal de alerta, mais do que qualquer coisa. Algo que deve nos empurrar não para o precipício, mas para a reflexão, a tempo, quem sabe, de revertermos o quadro, nem que seja para o desfrute dos nossos netos. Tudo é possível, até porque a virtude, segundo Agostinho, é filha do hábito e neta da vontade. Temos a vontade? Não sei. Creio que, sem o exercício do arbítrio, sem refletirmos, somos uma manada; refletindo, somos espíritos iluminados, com divina capacidade de aglutinação no sentido do equilíbrio, que é, em última análise, o conceito mais adequado para virtude. Porém não repare a confusão dos pensamentos que aqui exponho. O que lhes falta em sequência, sobra-lhes em boa intenção.

Sinto, neste instante em que se questiona o modelo econômico mundial majoritário - um modelo que privilegia a criação do dinheiro "per copula", como referia Aristóteles à agiotagem - uma derrocada dos valores sobre os quais se pauta a sociedade moderna. Nada que possa ser grafado em extratos bancários, holerites ou livros-caixa. Nada que se custodie em caixas-fortes. Quero falar dos valores intangíveis da sociedade; comportamentos, atitudes. A impressão que tenho é a de que quanto mais pessoas adquirem o ingresso para as cirandas financeiras de alto risco e para o esfuziante show dos "shoppings centers" superlotados, cumprindo sua sina de comprar compulsivamente, outro tanto é jogado na vala comum da informalidade e do abandono social. Uma gangorra perversa, nutrindo a descompensação que arreganha os dentes para o mundo. Os incluídos versus os excluídos. "The winners" versus "the losers". Vencedores até quando?

Abro parêntesis aqui para compartilhar com você duas coisas. A primeira tem a ver com a época: as festividades natalinas convocam nosso inconsciente coletivo cristão, por piores cristãos que sejamos, a se manifestar; e fazê-lo com aquela veemência sazonal, típica dos contos de Dickens, infelizmente não usual durante o resto do ano. A outra diz respeito à minha condição de empresário: defendo, com entusiasmo, o lucro como o mais potente motivador da felicidade coletiva. Sou fervoroso admirador dos economistas clássicos, cujas teorias, se devidamente contextualizadas, assentaram as fundações para que as relações empregado x empregador e empresário x consumidor ganhassem novas cores: as cores da liberdade. Assim, não estou isento de nada. Muito pelo contrário, sou parte integrante dessa massa alienada. Uma pequenina diferença a meu favor é que sei disso.

Vá lá que seja. Talvez nossa atividade crie os empregos que são necessários para a inclusão daqueles outros, os do viaduto. Também pagam os impostos que, em teoria, por intermédio da ação governamental, equalizariam as tais diferenças, com investimentos maciços em áreas estruturantes. Mas isso é o melhor que podemos fazer? Parece que não tem surtido muito efeito. Alguma coisa mais efetiva, quiçá mais urgente, tem que ser feita.

Não, amigo leitor... Desculpe, mas definitivamente não sei o quê. E enquanto aguardo suas bem vindas ponderações, tento aplacar a ansiedade em que se meteu minh'alma neste fim-de-ano desejando-lhe um promissor e reflexivo Ano Novo.

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Governo aposta na construção civil para crescimento do País

O Governo Federal aposta no setor da construção civil, especialmente nas obras de infra-estrutura e de habitação popular, para a retomada do crescimento do País em 2009. A exploração de petróleo na camada pré-sal e o desenvolvimento de sistemas de mobilidade nas principais capitais brasileiras até 2014, em função dos jogos da Copa do Mundo, também integrariam esse "pacote" de perspectivas de crescimento.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou a expectativa durante encontro da Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base) e da CNI (Confederação Nacional da Indústria) no dia 18 de dezembro. "Esses quatro [pilares] sustentam o emprego e o investimento, mas não são tudo", afirmou Dilma.

Para o Governo, a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) está ancorada na retomada e garantia dos investimentos. Dilma afirmou que o PAC receberá mais R$ 200 bilhões e que novos projetos serão apresentados para aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as novas obras, estão o trem-bala, concessões rodoviárias, intervenções portuárias e expansão ferroviária. A ministra não detalhou os projetos ou custos, no entanto, o Governo já havia sinalizado que pretende aumentar para R$ 1,111 trilhão os recursos do PAC - em 2007, o valor anunciado foi de 503,9 bilhões.

Somente o programa de habitação popular deverá receber investimentos da ordem de R$ 300 bilhões. Ainda segundo a ministra, o governo manterá cerca de R$ 40 bilhões de investimentos extras na área do pré-sal da Petrobras. Os programas sociais também serão mantidos. Com as medidas, o Governo Federal espera que o PIB de 2009 cresça 4%.

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Norma de Desempenho exige adaptações de empresas e profissionais da construção

A NBR 15.575, Norma de Desempenho para edifícios habitacionais de até cinco pavimentos, entrou em vigor no último mês de maio, mas será obrigatória apenas em 2010. Até lá, todos os envolvidos no processo de construção e operação dos edifícios terão de se adaptar às exigências do novo documento.

Capacitação das equipes de engenharia e arquitetura, reciclagem de projetistas e introdução do ensino do conceito de desempenho nas universidades são algumas das demandas neste novo contexto do mercado.

Para discutir os impactos da NBR 15.575 na indústria da construção nos próximos anos, representantes do setor se reuniram nesta semana em São Paulo, no 3º Seminário de Normas Técnicas, promovido pelo Secovi (Sindicato da Habitação) e pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil).

Segundo o advogado Carlos Pinto Del Mar, consultor jurídico do SindusCon-SP, embora a norma não seja lei, seu descumprimento poderá implicar sanções legais para quem não a cumprir. Além disso, o texto, segundo coordenador da Norma, o engenheiro Carlos Alberto Borges, define as "incumbências" de cada ator do processo, proporcionando a rastreabilidade das responsabilidades de cada um.

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