A literatura paraibana viverá um grande momento nesta sexta-feira (22) quando dois de seus maiores autores estarão envolvidos em um mesmo evento. As atenções estarão voltadas, principalmente, para o lançamento do livro "O Pós dos Sábados, Memória dos Domingos", de Hildeberto Barbosa Filho sobre a poética de Sérgio de Castro Pinto, mas também será lançado na ocasião "O Escritor e seus Intervalos", de Hildeberto Barbosa, obra que segue o gênero do Jornal Literário. Os livros serão autografados no Restaurante Villa Lianza, na Rua Odon Bezerra, 329, Tambiá, vizinho ao cartório do TRT, a partir das 19h. Em entrevista exclusiva ao caderno Show o poeta e crítico literário Hildeberto Barbosa Filho fez questão de frisar que o motivo de maior importância da noite de autógrafos fica por conta do livro que escreveu sobre a obra de Sérgio de Castro Pinto, a quem reputa como um dos maiores poetas brasileiros, e por quem confessa uma imensa admiração. "Quero ressaltar que o lançamento do meu livro sobre Sérgio é que é o carro-chefe do evento", disse. A seguir a entrevista com Barbosa Filho, na íntegra.
O que levou você a escrever um livro sobre Sérgio de Castro Pinto?
Em primeiro lugar, a admiração que tenho por sua poesia, tanto nos seus aspectos técnico-literários e estilísticos quanto no que toca aos fatores temáticos e ideológicos. Em segundo, porque tenho a intenção, enquanto estudioso da literatura local, de aprofundar minha pesquisa no sentido de compreender melhor certos autores específicos, certos movimentos literários, gêneros, grupos etc. Ou seja, desenvolver melhor a atitude crítica que já se desenhou em suas linhas gerais. É chegada a hora de tocar mais verticalemnte em aspectos singulares da chamada literatura paraibana.
Na abordagem do livro a afetividade chegou a interferir?
Interfere no âmbito da pura admiração, mas nunca no processo mesmo de análise, interpretação e julgamento, isto é, no corpo da atividade crítica propriamente dita.
Considera Sérgio o maior poeta vivo da Paraíba?
Não gosto nem costumo ver as coisas por este ângulo. No contexto contemporâneo Sérgio ocupa uma posição de destaque, mas não é uma personalidade isolada. Há nomes que, segundo minha forma de considerar o fenômeno literário, estão no mesmo patamar, como Vanildo Brito, Jomar Morais Souto, Marcos Tavares e Otávio Sitônio Pinto, só para me referir aos que vieram da Geração 59 e do Grupo Sanhauá. No entanto, cada um, em suas notações líricas e verbais, tende a imprimir um selo característico às suas respectivas dicções, descrevendo uma espécie de cartografia de signos das mais diversificadas e cintilantes.
E "O Escritor e seus Intervalos" são suas memórias?
Não no sentido de Memórias enquanto gênero específico, uma vez que o jornal literário ultrapassa as fronteiras das simples reminiscências para desembocar numa escritura fluida - misto de realidade e ficção - em que todos os gêneros do discurso podem perfeitamente conviver numa simultaneidade de tons e timbres surpreendentes.
Qual a definição que faz sobre a poética de Castro Pinto?
Todas as poéticas são superiores as suas definições. Mas vejo a poesia de Sérgio como um caso raro de contraponto entre forma e fundo, entre linguagem e temática, entre palavra e substância, dosado no mais rigoroso equilíbrio. Misto de competência e inventividade, sua poesia, alicerçada no menos da linguagem e na economia de meios expressivos, faz-se espaçoso repertório de significações. É, como diria Ezra Pound, novidade que permanece sempre novidade, energia vocabular em alta voltagem.
Na música ninguém ousa dizer se Chico Buarque é maior que Noel Rosa. Essa necessidade na literatura tem a ver com a vaidade?
Tudo tem a ver com a vaidade. Mas, como diz o Eclesiastes: há vaidades e vaidades. Esta vaidade que distorce o valor das coisas, que superestima as preferências, que exclui paradigmas e ethos alheios tende a gerar uma visão falsa e deformada da realidade. É claro que Jorge de Lima é tão grande quanto Carlos Drummond de Andrade; que Manuel Bandeira é tão grande quanto João Cabral de Melo Neto e que Cecília Meireles é tão grande quanto Murilo Mendes, só para citar os ícones da moderna poesia brasileira, ainda que pesem os inconfundíveis caminhos que cada um escolheu para caminhar.
Pontualmente o que mais lhe chama a atenção na poesia de Sérgio?
Primeiro: o domínio quase exato da palavra, seu alcance, seu ritmo, sua presença, suas incríveis correlações, atritos e ajustamentos; segundo: a plasticidade das imagens; terceiro: o dizer muito no pouco e no mínimo sem se perder na simples rarefação verbal; quarto: a força objetiva da percepção, seu olhar quase fotográfico em cima do detalhe como a configurar uma espécie de close às avessas. E por fim, o conjunto coeso e coerente, medido e medular de sua poética de tensões, forma incomum de pequena mas visceral antologia de si mesma.
Não acha que os Jornais Literário tendem a perecer nas estantes?
Não. Nada deve perecer nas estantes. Muito menos nos livros. Estantes, livros e bibliotecas são coisa vivas e vívidas que nenhuma das novas tecnologias acabará. A factualidade dos jornais constitui precisamente a sua seiva sanguínea. Os jornais literários, em certo sentido, são como a poesia: têm o dom de recuperar o perdido, furando a parede impermeável do tempo e cristalizando no corpo do presente, sobretudo no presente imaginário da leitura, o vigor inusitado das ditas horas mortas...
Como crítico respeitado que é, não acha que falta quem critique de forma isenta seus livros de poesia?
Não sei. Nunca me detive sobre isto. Gostaria apenas que a crítica que me fizessem fosse isenta, justa, receptiva, dialógica, assim como tento proceder com meus pares: os daqui e os de fora. É preciso entender, contudo, que a crítica é discurso; que todo discurso é histórico, portanto corrigível... Na literatura, diferente do que ocorre com o Direito - instância onde a sentença pode transitar em julgado - não existe julgamento definitivo.
Há quem diga que os poetas gostam de se elogiar mutuamente. O que acha disso?
É muito bizarro, sim. O elogio gratuito, interesseiro, tendencioso, bajulatório é o supra-sumo da mediocridade e da canalhice. Infelizmente a vida literária está cheia dessas coisas miúdas e nefandas. Que fazer? Ora, escrever, entre outras cosias, jornais literários. Eles não devem temer o lado pulsilâme dessa vida, a vida literária, a bem dizer tecida mais de mitos e fantasmas do que de fatos reais.
Em que panteão colocaria a poesia de Sérgio de Castro Pinto?
No panteão que ela merece, isto é, como uma das poéticas
mais representativas da contemporaneidade brasileira.
Acho que ninguém, nem mesmo o autor Orlando Tejo, imaginava quando lançou a primeira edição há três décadas, que o livro "Zé Limeira - Poeta do Absurdo" se tornaria uma das obras mais lendárias - senão a - da poesia popular nordestina. E é este livro, em uma reedição elegante e bela da Calibán Editora (RJ) que será autografado por Tejo na Fundação Casa de José Américo, na Avenida Cabo Branco, hoje às 20h.
Desde o primeiro lançamento do livro em 1975 a repercussão foi muito grande e criou-se uma lenda, porque muitas pessoas afirmavam que Zé Limeira nunca existira, era um personagem inventado por Orlando Tejo. O autor nega e diz que "ele existiu sim" e chega a descrever seu tipo físico: "Era um caboclo forte e meio rude no falar", disse ao caderno Show adiantando que ele não era lá um grande cantador, "mas tinha uma peculiaridade que era o senso de humor e as imagens exageradas que criava".
Perguntado se é verdade que muitos artistas colaboraram com o livro escrevendo versos e se alojando sob o pseudônimo de Zé Limeira o escritor Orlando Tejo despista, para manter o forte do livro: a eterna dúvida. "Algumas pessoas colaboraram sim com versos mas o Zé Limeira é autor de quase tudo que está no livro", jura de pés juntos. O compositor e cantador Vital Farias foi um dos que colaboraram com algumas estrofes. "Muita gente entrou nessa coisa de escrever versos engraçados e fantásticos e até eu fiz alguma coisa, mas a obra de Tejo é maior do que tudo isso".
Segundo Orlando Tejo "Zé Limeira foi um debochado e as influências do imaginário mouro-ibérico aparecem de relance em sua o bra, além dos neologismos esdrúxulos que construía".
Oliveira de Panelas garante que conhecer Zé Limeira, mas como o foco principal da obra (como bem diz o título) é o absurdo, a verdade total parece ser guardada por todos, em uma elogiável cumplicidade que funciona para não quebrar o encanto de uma obra decana. "Conheci sim o Zé Limeira, mas ele era um cantador fraco. Não era dos melhores, porém tinha uma forma toda própria de improvisar e escrever, que o diferenciaram e por isso o Orlando Tejo achou por bem fazer esse livro que é um dos meus de cabeceira", diz Panelas.
Quem descobriu o fascínio por Zé Limeira recentemente foi o compositor Beto Brito, que em seu CD mais recente, "Imbolê", musicou versos do livro de Tejo e chamou Zé Ramalho para gravar com ele. "O Zé aceitou e fiquei muito feliz porque a música tocou bastante nas emissoras de rádio e foi o carro-chefe do meu disco", diz o artista.
Orlando Tejo usa alguns versos para dar exemplo de como a verve da poesia e do improviso do absurdo Limeira: "Macho de abeia é zangão/ e feme de homem é muié/ Quem quisé vá no cortiço/ chegue lá e beba o me/ Cachorro vai pelo faro/ quem tem linha é carrité". Observem que o Poeta do Absurdo era mesmo algo descomunal, que não se preocupava em falar (nem escrever) certo e muitas vezes inventava palavras para fechar suas rimas.
"Foi justamente isso, esse jeito diferenciado e a criatividade para sair de momentos em que os outros cantadores pareciam tê-lo encurralado, que Zé Limeira fez história", diz Orlando Tejo. Quando eu lhe pergunto quanto de mito e de realidade tem no livro "O Poeta do Absurdo" ele me garante que "quase tudo", mas ri de forma matreira. É claro que o criador não quer matar a criatura. Afinal de contas um pai não mata um filho, e nem minimiza as suas qualidades. Pelo contrário, as exalta. Mas também não é lá muito importante se Zé Limeira é um mero absurdo ou uma peculiaríssima realidade. O importante é o fascínio da dúvida.
TÍTULO
Zé Limeira - Poeta do Absurdo
AUTOR
Orlando Tejo
EDITORA
Calibãn
O professor e cerimonialista Itapuan Bôtto Targino lança, hoje, às 18h, na Reitoria da Universidade Federal da Paraíba, o livro "A Lição de Serafim Martinez". Trata-se de um resgate histórico da vida de um dos fundadores da UFPB. Com prefácio de Dorgival Terceiro Neto e "orelhas" do padre Paulo Pires, a obra será apresentado pelo escritor Carlos Carvalho e Silva.
O padre Paulo Pires, em seu texto de apresentação, afirma que é mais do que oportuna a iniciativa de Itapuan Bôtto em registrar testemunhos sobre a figura exemplar de Serafim Rodriguez Martinez. "Serafim foi um devotado a nosso Estado. Suas ações, seus feitos e suas atitudes constroem cultura e civilização no nosso meio político-social não apenas no campo da educação, mas naquele da administração pública paraibana e federal", ressalta.
O acadêmico Dorgival Terceiro Neto registra que Itapuan Bôtto
tem dado contribuição valiosa à historiografia paraibana
em livros que escreveu e editou. "Faltava um memorialista que atestasse
tudo o que Serafim Martinez foi e realizou na terra que teve o privilégio
de recebê-lo e adotá-lo como engenheiro recém-formado,
vindo da Bahia, e que o guarda para sempre no campo santo das saudades",
destaca.
Em nota introdutória ao livro, Itapuan Bôtto assinala que Serafim
Martinez amava sua profissão. "Engenheiro generalista, possuía
competência técnica sustentada por uma estrutura científica
adquirida em estudos realizados no Brasil e no exterior. Nos cargos que exerceu,
procedia de acordo com as normas legais. Demonstrava honradez, dignidade e
correção", completa.
Para escrever a obra, Itapuan Bôtto valeu-se da ajuda e colaboração de ex-companheiros de trabalho, ex-alunos, amigos e parentes de Serafim Martinez. "Todos consideraram justa e oportuna a homenagem que, como memorialista, ora presto ao 'pai velho', como carinhosamente era chamado por alunos e funcionários da Escola de Engenharia e da Universidade Federal da Paraíba", acentua o autor.
inícioA Mostra Estadual de Teatro e Dança será iniciada, hoje, no Teatro Santa Roza. Até o dia 30 deste mês, irão competir 27 espetáculos, sendo nove de dança e 18 de teatro, na Mostra Oficial, oriundos das cidades de João Pessoa, Campina Grande, Cabedelo, Alagoa Grande e Cajazeiras. Mais três de dança e cinco de teatro se submeterão ao júri popular, na Mostra Paralela. Os ingressos custam R$ 2 (preço único). Mais informações pelos fones 3211-6250, 3218-4386.
A abertura da Mostra Estadual de Teatro e Dança acontecerá às 19h30, com o espetáculo de dança "Papangus", de Maurício Germano. A seguir, às 20h, estréia a Mostra Paralela com o espetáculo "A Verdadeira História de Chapeuzinho Vermelho". Depois, entram em cena mais dois espetáculos de teatro: "Corpo a Corpo", de Nilton Santos, às 20h40, e "Os Malefícios do Fumo", de Daniel Araújo, às 21h50. O evento é promovido pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), e homenageará a coreógrafa diretora e produtora de dança e teatro, Rosa Cagliani, falecida em abril deste ano.
"Papangus", dirigido por Maurício Germano, e montagem do
Balé Popular da UFPB, toma como ponto de partida a diversidade do personagem,
que está incluído em vários outros folguedos.
"Corpo a Corpo" mostra a vida do escritor Fernando Arrabal, durante
a guerra civil espanhola, enquanto ele ainda era criança. Seu pai fora
preso e condenado à prisão, por mais de trinta anos, cujo período
a família não teve notícias suas. A adaptação
é de Lourdes Santos, baseada no romance "Baal Babilônia".
"Os Malefícios do Fumo" é um monólogo do escritor russo Anton Tchekhov, em terceira montagem do ator Daniel Araújo. A peça foi escrita por Tchekhov em 1887, tendo recebido uma segunda versão 1904.
"A Verdadeira História de Chapeuzinho Vermelho" é uma comédia que se propõe a revolucionar o famoso clássico "Chapeuzinho Vermelho". É encenada por 32 senhoras entre 50 a 85 anos.
Será concedido o Troféu Thomás Santa Rosa aos melhores
da Mostra Oficial de Teatro e Dança, escolhidos pela Comissão
Julgadora. Os três primeiros colocados em teatro e dança receberão
prêmio em dinheiro de respectivamente: R$ 1.000, R$ 800 e R$ 600.
Lampião e Maria Bonita, dois mitos que o Nordeste brasileiro viu surgir ao longo de sua história, ganham, na interpretação dos atores Marcos Palmeira e Adriana Esteves, "um espetáculo austero e cuidadoso. Um bonito, digno e atraente retrato do Brasil", nas palavras da maior autoridade em crítica teatral do Brasil, Bárbara Heliodora.
Heliodora faz referência ao espetáculo "Virgulino e Maria - Auto de Angicos", que estará em cartaz, nesta sexta-feira e sábado, às 21h, no Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho.
Com direção de Amir Haddad, "Auto de Angicos" narra os últimos momentos de vida de Lampião e Maria Bonita. A última hora do casal nunca foi satisfatoriamente reconstruída pela historiografia oficial, e muito pouco pode ser afirmado sobre o que eles disseram ou fizeram nos minutos que precedem a execução dos dois, na Gruta do Angicos, na manhã de 28 de julho de 1938.
Mais do que Buth Cassidy e Billy the Kid, para os americanos, e mais até que Pancho Villa, para os mexicanos, Lampião e Maria Bonita tornaram-se uma lenda moderna no Brasil. Representam não apenas um modelo de subversão da ordem estabelecida, mas também a possibilidade do amor erótico num meio onde só a morte era uma companheira fiel.
ESPETÁCULO
Virgulino e Maria - Auto de Angicos
DATA
Hoje e amanhã, às 21h
LOCAL
Teatro Paulo Pontes
INGRESSOS
R$ 50 e R$ 25 (Paraí Informática, Mag Shopping)
Atores e diretores da Grande João Pessoa terão oportunidade de fazer uma reciclagem em suas atuações pelos palcos paraibanos com a primeira etapa do projeto Dramaturgia: Leituras em Cena, desenvolvido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). O evento acontece, no turno da tarde, nos dias 6, 7 e 8 de setembro.
As inscrições podem ser feitas no setor de cultura do Sesc Centro João Pessoa, na Rua Desembargador Souto Maior, 281. Mais informações pelo telefone 3208-3158.
Nesta nova edição do projeto, a atriz, pesquisadora e professora de teatro Anna Esteves vai ministrar uma oficina, no turno da noite, cujas inscrições estão abertas até o dia 30 deste mês. Para o ato da inscrição estão sendo solicitados dois quilos de alimento não perecível, a ser repassado ao Banco de Alimentos Sesc Senac.
O projeto, que é promovido pelo Departamento Nacional do Sesc, através de suas unidades estaduais, foi criado para a prática da leitura de textos teatrais, nacionais e estrangeiros, com o objetivo de instrumentalizar e chamar a atenção de diretores e atores para as potencialidades cênicas e os novos ângulos que cada obra suscita.
Paralelamente, são realizados oficinas, debates, exibição de vídeos sobre o universo teatral, possibilitando desta forma o encontro de autores e da classe teatral em atividade em torno das discussões sobre o universo da representação, da carpintaria teatral e de suas respectivas metáforas. O projeto é direcionado para artistas de teatro, experientes ou iniciantes, e as oficinas ministradas por profissionais reconhecidos no ambiente da cultura teatral, abordam a dramaturgia e suas fundamentações.
Anna Esteves é doutoranda pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com o projeto "Dramaturgia e memória do homem-jequitinhonha: uma análise comparativa entre quatro momentos do Ícaros do Vale", além de mestre em teatro pela mesma universidade. Como atriz atuou em "Maria Lira", "Macbeth", "Édipo Rei" e "Nosferatu; um pouco de nós".
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