A fórmula pode não ser nova, de juntar o rock and roll a um repertório de brega que tem o romantismo exagerado como 'estética'. Grupos célebres como Joelho de Porco e Língua de Trapo já haviam marcado seus nomes na música brasileira por fazerem de seus shows (e discos) uma farra. Mas aqui na Paraíba a banda Caronas do Opala veio para sacudir a cidade com uma proposta musical sem precedentes, recordando a música de ícones como Odair José, Baltazar e Evaldo Braga entre outros, com o rock.
O grupo comemora dois anos de existência - e de sucesso - com um show nesta sexta-feira no espaço alternativo Intoca (no Adro de São Pedro, Centro Histórico) a partir das 22h. Os ingressos custam R$ 5, preço único. Antes do Caronas do Opala subir ao palco se apresentam as bandas Raul Seixas Cover, de Pernambuco, e Vinil Vermelho, daqui de João Pessoa.
Formado por Sérgio Mota (vocal), Nildo Silva (bateria), Degner Queiroz (baixo), Valter Pedrosa (guitarra) e Fabiano Formiga (sintetizador) o grupo Caronas do Opala não se define como um grupo cênico, embora suas interpretações sejam performáticas. "Somos um grupo musical e nunca tivemos a pretensão de fazer teatro no palco", diz o baterista Nildo em entrevista ao caderno Show.
"Somos fãs de grupos como o Omelete, por exemplo, mas temos propostas diferentes", lembra Nildo. "Queremos mesmo é fazer música e como escolhemos um repertório calcado na música popular que ticava no rádio lê pelos idos da década de 60, inevitavelmente fica meio caricato e isso diverte o nosso público". Ou seja, o CO não veio para ocupar espaço de ninguém. "Viemos para somar, e divertir", garante Degner Queiroz, o baixista da banda.
Nildo Dias conta que o surgimento do Caronas do Opala foi totalmente casual. "Eu e Sérgio Mota tínhamos acabado de assistir a um show da banda Star 61, de rock, e nos encontramos com Valter e Degner ouvindo músicas de Roberto Carlos. Foi aí que começamos a pensar em fazer um show no qual cantaríamos músicas românticas em ritmo de rock and roll", lembra.
"Mas temos o maior respeito por autores como Odair José e Bartô Galeno e todos os demais que faziam música romântica, chamada de brega porque se valia de uma linguagem que chegava até o povão", garante Nildo para quem "a música que hoje fala de erotismo e de outras baixarias, essa sim, é uma coisa que não nos interessa". Interessa aos rapazes do Caronas do Opala a música que fale de amor com uma linguagem sem erudição e isso inevitavelmente se transforma em diversão, mas tudo é feito com respeito.
Sobre o DVD que gravam durante o show de hoje Nildo Dias explica que é um registro que se fazia necessário para atender aos pedidos dos fãs. "Como não temos sequer um CD ao vivo achamos por bem gravar logo som e imagem, e assim vendermos a um público que nos tem cobrado muito um registro para curtir em casa". Mas ele garante que em breve a banda entra em estúdio para gravar o disco de inéditas.
"Nossa pretensão é fazer um CD autoral, com músicas que escreveremos especialmente para gravar, mas que seguirão a linha dos compositores que incluímos nos nossos shows", diz Degner Queiroz. Um ponto que os integrantes do 'Caronas' fazem questão de deixar claro é que o grupo não é cênico e que qualquer performance um pouco mais exagerada é pelo fato de gostarem de interpretar as letras de forma que elas sejam bem compreendidas. "Somos um grupo musical", define curto & grosso Nildo Dias.
A verdade é que a conquista do público pelo Caronas do Opala deu-se de forma meteórica. Cada show que o grupo realiza termina se constituindo em uma festa. E, mesmo que eles evitem se rotular como um núcleo cênico-musical, a verdade é que foi assim que as pessoas aprenderam a amá-los. "Temos consciência de que manter esse carinho do público pelo nosso trabalho é uma tarefa que requer humildade e um trabalho coerente", afirma Nildo Dias. Definir o estilo do CO pode parecer uma tarefa árdua, mas eles gostam de dizer que fazem o "Brega Rock Style". Importa mesmo é que fazem sucesso e divertem o público tão ávido de novidades na cena musical do Estado.
Caronas do Opala segue a linha de bandas irreverentes como João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Joelho de Porco e Língua de Trapo, mas com tempero próprio. Em breve o grupo grava o primeiro CD autoral.
inícioO campo semântico da poesia é vasto, como vasta é a vida. E, por isso, ela nos dá conta de tantas coisas - do amor, da política, da metafísica, de si própria, e também das coisas simples. Os poetas, donos da linguagem, fazem da poesia o que querem, e ela, que pode rebelar o mundo, às vezes submete-se à vontade de seus criadores, deixando-se levar, no papel, por gestos menos lúcidos.
Mas é da poesia das coisas simples, ou melhor, da poesia de Yolanda Limeira que quero falar. Desta poesia de verso curto, amoroso, meio minimalista, sem rebuscamento, prenhe de memória, cheio de afeto, sutil como um felino, rápido como chuva de verão, de peito aberto aos dardos da crítica. Desta poesia com cheiro de pão quentinho comprado ali na padaria da esquina da rua da praia.
A poesia que Yó reuniu no livro "Era Domingo..." é uma poesia caseira, de reminiscências, de cotidiano. A autora reconstrói com os tijolos das palavras e a argamassa dos sentimentos a cidade natal de outrora, ainda com bondes deslizando pelas poucas avenidas do centro, a orla marítima banguela de arranha-céus, as ruas ornamentadas com as flores caídas dos jambeiros.
"Exilada estou/na cidade da minha infância", diz a poeta, em "Exílio". Não para escapar, mas para suportar a saudade - do tempo que se foi, levando de roldão juventude, entes e amigos queridos -, Yó faz poesia. Nela, revela, também, seus segredos de mulher. Seus olhos perscrutam o tempo o tempo todo; pressente sua terrível presença nos cantos, nos móveis, nos gatos da casa.
Para Cláudio Limeira (Cacá), paixão de toda uma vida, dedica versos de amor e, sem dar nomes aos bois, confessa certas amarguras próprias de quem vive a dois. Confesso que chorei ao abrir o baú onde a poeta guarda a Cartilha do Povo, presente da Vovó Sinhá, e com o retrato falado de Sivuca, o gato de "olhar de diamante cortante", de "andar macio", de "pêlos de ouro".
Yó já nos devia este livro faz tempo. Ela, que namora a um só tempo um poeta e a poesia, guardava em gavetas os versos que fazia nos intervalos dos afazeres do dia-a-dia, e que não eram poucos: estudar, ler, ensinar, editar, revisar, lavar, passar e cozinhar. "Acho que me envolvi muito com outras atividades", confessa com seu doce sorriso de menina.
"Era Domingo..." nasceu depois de muitos sábados de insistência de Cacá, sábados que acabaram num ultimato de sexta-feira: "Ou você publica os seus, ou não publico mais os meus poemas". A parte maior da obra é composta de versos escritos a partir de 1995. Há outros mais recentes, e só um bem antigo, de 1970. "Este eu guardei bem guardadinho, pois gosto muito dele", revela.
Yó começou a gostar de poesia quando cursava a Faculdade de Filosofia e conheceu o poeta Antônio Serafim, que, transfigurando-se em jogral, declamava poemas de Pablo Neruda, Federico Garcia Lorca, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, entre outras feras. "Foi o meu primeiro contato de fato com esta poesia superior", ressalta.
Marcos dos Anjos também contribuiu para a formação literária de Yó. "Certo dia ele chegou na Faculdade com vários livros impressos em papel de embrulhar pão, e me apresentou àqueles que viriam a ser conhecidos como os poetas da Geração Sanhauá: Marcos Tavares, Anco Márcio, Sérgio de Castro Pinto, Marcos Vinícius e o próprio Marcos dos Anjos", relembra.
Outra figura singular nesta história é o saudoso Vanildo Brito, talvez o maior poeta erudito paraibano, depois de Ariano Suassuna. "Vanildo foi importantíssimo para todos nós daquela geração. Ele era professor de Estética na Faculdade de Filosofia, mas vivia entre nós, os estudantes, conversando sobre poesia com uma autoridade de mestre", completa.
Mas foi Cláudio Limeira quem abriu definitivamente a mente de Yó para o esplendor da poesia. Após atarem namoro, cruzaram de mãos dadas as estradas abertas por Augusto dos Anjos, Paulo Mendes Campos, Vinicius de Moraes, Joaquim Cardozo, Cora Coralina, Murilo Mendes e Cecília Meireles, entre tantos outros. "Nesta caminhada - ela garante - estamos até hoje".
O livro "Era Domingo..." (Idéia), de Yolanda Limeira, será lançado, hoje, às 19h, no Restaurante Villa Lianza, na rua Odon Bezerra, 329, em Tambiá. A obra traz comentários de Caio Porfírio Carneiro, Sérgio de Castro Pinto, Cláudio Limeira e Neide Medeiros. Yó trabalhou, entre outras instituições, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), Diretoria Geral de Cultura do Município de João Pessoa (DGC) e Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). Criou e editou o suplemento literário infanto-juvenil "Correinho das Artes" e foi secretária do suplemento literário "Correio das Artes" (A União). Criou e editou a revista de literatura "Verdes Anos". Tem publicado poesias , crônicas e contos em jornais e revistas e participado de antologias e coletâneas. Organizou e participou com a professora Neide Medeiros Santos do livro "Memórias Rendilhadas".
inícioUm importante acontecimento na área da historiografia paraibana terá como palco, hoje, a partir das 17h, O Sebo Cultural, localizado na Avenida Tabajaras, 848, Centro. Trata-se do lançamento dos livros "Porque João Dantas Assassinou João Pessoa" (Parahyba Verdade, 3ª edição), de Joaquim Moreira Caldas, e "Uma Família na Serra do Teixeira" (Liber), de Fábio Lafaiete Dantas e Maria Leda de Resende Dantas. A apresentação de "Porque João Dantas Assassinou João Pessoa" será feita por Flávio Eduardo Maroja Ribeiro.
"Porque João Dantas Assassinou João Pessoa" teve sua primeira edição lançada em 1930, no calor dos fatos que marcaram de sangue e fogo a história da Paraíba. O autor, Joaquim Moreira Caldas, é Juiz de Direito e irmão de Augusto Caldas (morto juntamente com João Dantas na Casa de Detenção de Recife).
O livro foi escrito por quem acompanhou de perto os últimos momentos desses dois personagens e ouviu os seus depoimentos.
"Porque João Dantas Assassinou João Pessoa" é um livro que mostra o outro lado da História. Trata-se de um livro quase raro, retirado de circulação durante 76 anos e resgatado pela ONG Paraíba Verdade, que lançou a sua segunda edição, e agora em 2008, cede os direitos de reprodução ao Sebo Cultural.
João Dantas é apresentado pelo autor como Bacharel em Direito, dono de saber e talento, espírito culto e inteligente, logo firmando conceito na Paraíba. João Pessoa é retratado como um homem que praticou todos os desatinos, violências e torpezas.
A sanga dos Dantas que, no século XVIII, se instalam na Serra do Teixeira, é o tema do livro "Uma Família na Serra do Teixeira". O capítulo "Episódios da História da Paraíba" contextualiza a história do legendário Capitão Anta e de seus descendentes. Entre os fatos históricos destacam-se a Revolução de 1817, a Confederação do Equador e a Revolta de Princesa.
Por 1920 ter sido considerada a década áurea do Estado, foram apresentados os governadores de então: Solon de Lucena, João Suassuna e João Pessoa. Mostrados os pioneiros da família, na caminhada para o Sertão, a obra delineia algumas biografias, como as de Cazuza, padre Belisário e Maurício Dantas.
O capítulo "Cartas, crônicas e outras escrituras" publica relíquias guardadas por décadas e outras por séculos, concedendo ao leitor partilhar de momentos íntimos de alguns protagonistas desta história de família.
"Livro de leitura agradável, certamente irá suscitar no leitor maior interesse pela história de sua terra. E irá despertar em muitos o desejo de conhecer mais a fundo suas próprias origens", comenta os autores.
TÍTULOS: Porque João Dantas Assassinou João Pessoa, de Joaquim Moreira Caldas Uma Família na Serra do Teixeira, de Fábio Lafaiete Dantas e Maria Leda de Resende Dantas
LANÇAMENTO: Hoje, às 17h
LOCAL: O Sebo Cultural
ENDEREÇO: Avenida Tabajaras, 848, Centro
O artista plástico paraibano Alberto Lacet lança, hoje, às 19h, no Casarão 34, na Praça Dom Adauto, Centro, o livro que registra parte do seu trabalho nas últimas quatro décadas. "Alberto Lacet - Pinturas", título da obra, foi editado com recursos do Fundo Municipal de Cultura (FMC).
Lacet é um artista autodidata apaixonado pela estética da figura humana, cuja representação pictórica retrata o homem universal em sua incansável e frustrada tentativa de traduzir e libertar-se da intricada teia existencial na qual está secularmente enredado. O artista, desde o início de sua carrera, pensou a arte como instituição de grande monta, emulando com a ciência, a religião etc.
Leitor e admirador incondicional, na literatura, de William Faulkner, e na filosofia, de Arnold Toynbee, Lacet tem em Velásquez seu ideal de pintura dos seiscentos, e em Picasso o emblema dos movimentos modernistas do início do século vinte. Como pintor, seguiu o exemplo dos grandes mestres e confessa que se sinte um tanto quanto europeu na sua maneira de ver e trabalhar a arte.
Lacet seguiu a trilha comum a quase todos os pintores ao optar pelas telas de grandes e médias dimensões. A figuração não realista é sua escola natural, a partir da qual realizou inúmeros experimentos, desde as tradicionais naturezas-mortas e paisagens marinhas com barcos, até as deformações de corpos no estilo inconfundível de um João Câmara.
Seres humanos na intimidade solitária de seus lares ou nas conflitantes relações com o espaço público são temas recorrentes na pintura de Lacet; inicialmente com referências críticas à tecnologia moderna, para depois se libertar de dogmas ideológicos e flertar com a abstração, até inaugurar um novo diálogo, mais franco, com suas memórias afetivas.
Outra característica da pintura de Lacet é uma espécie de metalinguagem, ou seja, cenas nas quais pintores e telas se confundem com os objetos retratados, criando belos efeitos visuais e prestando-se às psicológicas, onde se percebe, também, o requintado domínio técnico do artista paraibano no uso de suas tintas e pincéis.
Alberto Lacet procurou uma alternativa estética na pintura realista, utilizando como suporte telas de pequenas dimensões, sem abrir mão dos valores encontrados nas grandes telas, usando o índio brasileiro como tema e modelo. Ele busca dar mais liberdade ao seu espírito. Os símbolos e formas encontrados na sua pintura são associações próprias de um espírito que luta dentro do corpo por um espaço maior.
Alberto Lacet, natural de Teixeira (PB), vive e trabalha em João Pessoa. Freqüentou o curso de pintura da Coordenação de Extensão Cultural da Universidade Federal da Paraíba (Coex/UFPB) e é um dos fundadores do ateliê coletivo do Museu de Arte Assis Chateaubriand (MAAC), em Campina Grande.
inícioO livro "Artes Visuais: Conversando Sobre" (Editora Universitária da UFPE), organizado pelos professores Madalena Zaccara e Sebastião Pedrosa, será lançado, hoje, às 20h, na Galeria de Arte Gamela, na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 756, Tambaú. Os organizadores são, respectivamente, coordenador e vice-coordenadora do Curso de Licenciatura em Educação Artística, Artes Plásticas, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O evento acontece durante reunião do Grupo Utopia e terá, conjuntamente, palestra de Madalena Zaccara e Sebastião Pedrosa.
Na ocasião do lançamento, estarão presentes alguns dos autores dos textos, os quais ofereceram autógrafos a quem quiser adquirir o livro. Os autores são: Ana Elisabete de Gouveia, Ana Lúcia Passos, Ana Luísa Lima, Bruno Vilela, Carlos Henrique Romeu Cabral, Clarissa Diniz, Everardo Ramos, Fernando Antônio Gonçalves de Azevedo, Itamar Morgado da Silva, Janilson Lopes de Lima, Lúcia Helena Dantas de Oliveira, Madalena Zaccara, Maria do Carmo de Siqueira Nino, Marluce Vasconcelos de Carvalho, Sebastião Gomes Pedrosa e Valkiria Dias.
Trata-se, a obra, de uma coletânea de textos escritos por professores, alunos e ex-alunos da graduação em Artes Plásticas do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística, e, na opinião dos organizadores, cumpre importante papel em aproximar as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no campo das artes visuais na UFPE.
"É certamente um esforço em disponibilizar conhecimentos, saberes e informações em artes visuais para a comunidade, possibilitando dessa forma o diálogo entre o contexto da universidade, da escola e da comunidade", comentam os organizadores. A obra foi viabilizada com recursos oriundos do Programa Pró-Docência da Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmicos da UFPE .
"Temos especial satisfação em testemunhar este lançamento, pois acreditamos no valor do trabalho produzido por nossos professores e alunos", ressalta o chefe do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da UFPE, Ricardo Bigi de Aquino.
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