No país, infelizmente, estamos vendo a ousadia e até a inteligência do crime organizado. Prende-se um ou uma parte dos integrantes de uma gang, nunca o grupo todo, diversificado em crimes e espalhado num determinado território. A prisão, em muitos casos, é cumprida em Presídio de segurança máxima, equipado com a mais moderna tecnologia. Entretanto, embora esteja no Regime Disciplinar Diferenciado, em isolamento total, por um ano inteiro, mesmo assim o preso ainda dá ordens ou as recebe dos seus comparsas, através da memória do seu visitante: familiar ou advogado.
Na ausência de outro meio ou instrumento tecnológico funciona a memória, a oralidade. Memória dinâmica que estoca a informação e não pode ser detectada. A informação é repassada, na íntegra, para o destinatário, e este a executa, fora ou dentro da prisão. Na ordem já há o planejamento do que vai ser executado, nos mínimos detalhes. Denota inteligência e acima de tudo ousadia, utilizando os meios disponíveis para chegar aos resultados desejados. Assim, não sendo possível uma fuga ou um resgate espetacular, usam uma grave ameaça ou um seqüestro como moeda de troca. Mesmo assim, como não há crime perfeito, as forças de segurança têm conseguido detectar planos ousados para matar ou seqüestrar pessoas. Nem as autoridades dos três Poderes do país podem se sentir seguras.
A primeira regra é não deixar pista ou vestígio da ação, para dificultar a investigação e a fixação de responsabilidades, especialmente diante das constantes escutas telefônicas e da moderna e eficaz tecnologia policial.
Recentemente foi abortada uma tentativa de resgate de presos dos mais perigosos do país, do Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Também fora descoberto um plano para seqüestrar Ministros do Supremo Tribunal Federal, Parlamentares e familiares destes, com o objetivo de libertar presos daquela unidade.
Vemos, assim, que a prisão por mais rigorosa que o seja não tem o condão de frear a índole criminosa de certos apenados. Por isso, a informação precisa ser bem analisada para não se incutir medo ou preocupação ilimitada da possível vítima ou manipular informação para confundir ou desviar a atenção dos órgãos de segurança, pois pode ser uma contrainformação com outros objetivos criminosos. O inusitado é que, atualmente, a palavra de bandidos tem tido muita força; capaz de merecer mais credibilidade do que a palavra do cidadão honrado ou da própria autoridade envolvida na questão. O pior é que são acatadas falsas informações, prematuramente, como juízo de valor, sem a apurada análise para divulgação, abertura de inquéritos ou procedimentos judiciais. E nisso o crime organizado é mestre.
Essa inversão de valores, se assim persistir, vai banir a cidadania responsável e a vida ilibada do cidadão, construída ao longo do tempo, com a reiteração de atos dignos, por versão de qualquer pessoa sem idoneidade, do anonimato ou submundo do crime, deixando-o estigmatizado pelo resto da vida.