Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008

Márcio Cotrim


Sangue de Barata

Há quem diga que barata não tem sangue. Tem, sim, só que não é como o que corre em nossas veias. No caso desse inseto ortóptero, pecilotérmico e da família dos blatídeos, é um líquido quase pastoso e frio, uma espécie de gosma branca transmissora de sensações. Chama-se hemolinfa.

Diz-se que uma pessoa tem sangue de barata quando não se altera facilmente, mesmo diante de situações difíceis. É alguém de temperamento frio, de extrema paciência.

É quase impossível queimar uma barata. Ela não pega fogo nem sente a dor provocada por intenso calor. A bichinha agüenta firme, daí a expressão popular "eu não tenho sangue de barata", quando justificamos nossas explosões.

A energia desprendida pela barata fêmea ao receber o esperma da barata macho equivale a 5 lâmpadas de 100 watts! Depois da cópula, as baratas saem andando "feito barata tonta", expressão devidamente justificada...

É um dos insetos mais antigos do mundo. Segundo os cientistas, o único animal a sobreviver a uma catástrofe nuclear. Não vai sobrar ninguém para contar a história, a não ser essas nojentas criaturas que, serelepes, continuarão zanzando sobre os destroços de uma Terra arrasada . . .

CARAÇA - Quem ouve essa palavra, sobretudo os coroas, logo a associa a um colégio de lendária disciplina férrea situado em Minas Gerais. Fundado em 1774, ainda é referência de rigoroso ensino para a elite brasileira, e por onde passaram dois Presidentes da República: Afonso Pena e Arthur Bernardes. No início do século 20 foi transformado num seminário. Funcionou até 1968, quando um incêndio destruiu boa parte de suas instalações. O prédio queimado foi restaurado e atualmente acolhe uma pousada e um centro cultural. Mas qual o berço do nome Caraça? A primeira coisa que chamou a atenção dos bandeirantes que chegavam à região por volta do século 18, foi a notável semelhança de uma formação rochosa, ali existente, com a cara enorme de um gigante adormecido, daí o nome Caraça, grande cara. Conta-se que, desde a construção do prédio, os visitantes e os padres do lugar se reuniam após o jantar, em frente à igreja local, para um ritual jamais interrompido: Os padres alimentam os lobos guarás ali existentes com pedaços de carne. Eles demoram um pouco para chegar, mas todas as noites comparecem. Os mais corajosos podem até dar a comida para os lobos. Essa rotina permanece como uma das atrações aos visitantes. Quem já viu, não esquece . . .

INCENSO - Do latim incensum, incendiar, atear fogo. Sua história se perde na noite dos tempos, mas ele nunca perdeu o encanto e fascínio. Popularizou-se em diferentes culturas, sobretudo as orientais, como detentor de propriedades mágicas como a limpeza e a purificação energética de ambientes. Está cada vez mais presente em nosso quotidiano sob a forma de inúmeras fragrâncias que aromatizam ambientes. Cada uma possui propriedades e indicações específicas. Por exemplo, o almíscar estimula a sensualidade, o odor da rosa branca atua contra o estresse, e assim por diante. Antigamente, nos mosteiros, o uso de odores doces como a baunilha, eram de grande utilidade para reduzir o apetite e estimular os jejuns. Os reis magos ofertaram a Jesus ouro, incenso e mirra, e homens das cavernas acendiam fogueiras de folhas e ervas para afugentar animais ferozes. Hoje, o incenso e usado domesticamente com intuito de melhorar nosso astral e nossa energia. Entrar numa loja que vende incensos, é penetrar num clima de eflúvios aromáticos que levam a paragens espirituais insuspeitadas . . .

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O leitor Memo, de (?), solicita a origem da palavra veterinária. Na Roma Antiga, a habilidade de curar animais era chamada de ars veterinaria, baseada em princípios elementares e empíricos que se desenvolveram ao longo do tempo. A origem da palavra veterinária é controversa. Uma das hipóteses é a de que seria proveniente de vetus,veteris a mesma origem da palavra vetusto ou, ainda, de veterina, animal de carga, daí a denominação de veterinários aos que cuidam e tratam das doenças dos animais.

A Medicina Veterinária moderna começou a desenvolver-se em Lyon, na França, em 1761, com o surgimento na primeira escola do gênero no mundo, criada pelo hipologista - profissional apto a tratar de eqüinos - Claude Bougerlat, no reinado de Luís XV.

No Brasil, o primeiro congresso de Medicina Veterinária foi realizado em 1922 pelo professor Américo de Souza Braga, grande batalhador da profissão. É preciso, de fato, muita vocação e altruísmo para cuidar da saúde dos animais, nem sempre dóceis. Extrair um cisto no lombo de um tigre é tarefa para seres humanos muito especiais, dotados de algo muito raro: a reunião da coragem com a compaixão . . .

marcio.cotrim@correioweb.com.br
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