Atuando na vida pública desde os anos 1950, o deputado Wilson Braga já viveu todas as experiências que um político pode experimentar. Presidiu partido político na Paraíba, esteve na cúpula dirigente da Câmara Federal, chegou ao governo do Estado e foi até mesmo vereador da Capital, depois de já ter cumprido toda esta trajetória.
Na segunda metade do século passado, vinculado à Arena, partido que dava sustentação ao regime militar, foi um dos parlamentares paraibanos de maior influência junto ao Palácio do Planalto. Quando chegou ao governo do Estado, nas eleições de 1982, fez o que se esperava de um representante político do Sertão: deu ênfase à questão dos recursos hídricos, fundou uma secretaria só para isto e construiu barragens e mais barragens, sempre preocupado em acumular água.
Com uma rede de aliados espalhados por todo o Estado, e quase todos infiltrados nos órgãos da administração estadual, Wilson entrou no Palácio da Redenção para, a um só tempo, culminar a sua carreira política e realizar um trabalho assistencial que sempre o atraiu, não sendo exagero dizer-se que, ao longo da carreira, tenha se tornado a sua principal marca.
O governo, porém, foi tumultuado. O assassinato do empresário Paulo Brandão, vitimado com mais de trinta tiros de metralhadora, acabou sendo atribuído a servidores do Palácio e o próprio governador foi apontado, ainda que sem provas concretas, como mandante do crime.
Este episódio é um corte na sua vida política. Pensou-se mesmo que depois dele Wilson não mais retornaria à vida pública. Ledo engano. Voltou pelo voto para a Prefeitura de João Pessoa, para a Câmara Municipal e, finalmente, para a Câmara Federal, onde até hoje se encontra.
Pois bem, com seus mais de 70 anos, Wilson cumpre no Congresso Nacional um mandato exemplar. Sem a paparicação da mídia, mas com determinação, acaba se destacando na discussão de temas que os seus colegas, muitas vezes, têm deixado passar em branco.
Foi assim recentemente, quando Fidel Castro deixou o governo de Cuba. Wilson foi à tribuna e relembrou o papel histórico que o líder cubano havia desempenhado na América Latina inteira. No caso da senadora Ingrid Betancourt, ex-refém das Farcs, foi um dos primeiros a se pronunciar. E por aí vai.
Agora, Wilson Braga volta suas atenções para os estudantes pobres do interior, preocupado com o transporte "pau de arara", que os conduzem às salas de aula, trazendo-os da zona rural. Age com o entusiasmo de um parlamentar iniciante. Com o vigor de um político jovem.
É difícil encontrar por aí quem tenha se renovado com tanta autenticidade.
Quem sabe, este mundo não seja o inferno de outro planeta... (Aldous Huxley).
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