Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008

Enfoque


Lei do nepotismo

A resolução do Supremo Tribunal Federal, proibindo o nepotismo no país, não deveria nem existir se os nossos administradores tivessem um pouco de cerimônia e evitassem que seus parentes ocupem cargos de mando na estrutura que dirigem. Tem uns que pregam uma coisa e na prática fazem outra completamente diferente.

Na Paraíba, o governador Cássio Cunha Lima, por exemplo, sancionou a lei 8.124, em dezembro de 2006, proibindo o nepotismo na estrutura do Estado, que dirige. Cássio foi o primeiro governador do Brasil a adotar essa postura, muito embora alguns auxiliares achassem à época que ela seria um desastre.

O mesmo poderia ter acontecido com alguns prefeitos que têm irmãos e irmãs em sua administração, numa prática clara de nepotismo. Esses prefeitos poderiam ter evitado o vexame de ter que demitir os parentes em pleno processo eleitoral por força da determinação do STF. Não demitiram e agora serão obrigados a demitir.

O nepotismo é uma prática condenável e quando praticada o gestor diz que seus familiares são competentes e inteligentes, como se competência e inteligência fossem exclusividades de uma família. Resultado: agora muitos desses casos vão parar na Justiça, porque certamente muitos prefeitos não vão querer acabar com a "boquinha" familiar.

Poeta do Absurdo - O poeta e pesquisador paraibano Orlando Tejo autografa hoje à noite, na Fundação Casa de José Américo, às 20h, uma nova e luxuosa edição do antológico livro "Zé Limeira - Poeta do Absurdo". A sessão de autógrafos deve contar com a presença do compositor Vital Farias, um fã confesso de Tejo, e do cantor Beto Brito.
Beto musicou poemas do livro de Orlando.

Na Câmara - O vereador Professor Paiva lamentou ontem que a Câmara Municipal de João Pessoa tenha perdido a oportunidade de dar o "bom exemplo" decretando o fim do nepotismo na esfera municipal, restando agora apenas cumprir com a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF), válida para todo território nacional.
E olha que não foi por falta de sugestão.

Não tem - Já o presidente da Câmara, vereador Durval Ferreira, afirma que não tem conhecimento de nepotismo no Poder Legislativo Municipal. Ele lembra que, assim que assumiu a administração da Casa, tratou logo de adotar medidas para evitar esse tipo de prática na estrutura da instituição. Durval diz que os parlamentares têm consciência de sua função.
Durval vai fazer levantamento nos gabinetes dos vereadores.

Ainda Durval - Segundo Durval, em função da súmula vinculante do STF, o projeto de lei antinepotismo do vereador Professor Paiva, perde eficácia e deixará de tramitar para eventual aprovação, já que a prática de nepotismo agora é proibida por lei. Paiva foi o único vereador que tentou proibir a prática do nepotismo no município.
E com isso atraiu a ira de muitos contra ele.

Sem carreata - A juíza Rita de Cássia Martins, da 61ª Zona Eleitoral, aceitou pedido do Ministério Público e proibiu carreatas na cidade de Bayeux. Segundo a juíza, a medida foi tomada por conta dos recentes confrontos de aliados das candidaturas na ultima carreata. O pau canta entre defensores de Jota Júnior e Expedito Pereira, os candidatos.
Em Bayeux o clima é de vaca desconhecer bezerro.

Lá vem ela - A vereadora Paula Frassinete disse ontem que o Código Estadual do Meio Ambiente, projeto de lei de autoria do deputado Ricardo Barbosa, precisa ser discutido antes de sua aprovação, porque não trata da questão do semi-árido, principal problema do ecossistema do Estado, nem da proteção dos manguezais.
"Paula nem faz nem deixa os outros fazer", diz Ricardo.

Pitadas

Não volta - Com a súmula vinculada do STF, Coriolano Coutinho não mais deverá voltar para a Diretoria Administrativa da Emlur, cargo que ocupou até poucos dias e saiu para cuidar da campanha do irmão Ricardo.

Lidera - Numa pesquisa que está sendo feita para escolher as sete maravilhas da Paraíba, o Lajedo do Pai Mateus vem liderando com folga. Realmente, o Lajedo é muito bonito. Não mais que a Pedra da Boca.

Abandonado - A Pedra da Boca recebe todos os anos milhares de turistas de outros países e é mais conhecida no Rio Grande do Norte do que na Paraíba. Aliás, empresários de Natal faturam os tubos com a Pedra da Boca.

por JOSÉ EUFLÁVIO
euflavio@jornalonorte.com.br
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