Jornal O Norte

João Pessoa, Quarta-Feira, 19 de Novembro de 2008

Show


Em estado natural

Guitarrista norte-americano Stanley Jordan se apresenta hoje em João Pessoa, no Teatro Paulo Pontes, e lança o seu novo CD, “State of Nature”

Ricardo Anísio
Ricardoanisio.pb@diariosassociados.com.br

Não é todo dia que um músico internacional da estatura artística de Stanley Jordan se apresenta em João Pessoa. Talvez seja uma oportunidade única de ver-ouvir um dos virtuoses do jazz contemporâneo conhecido por muitas vezes abrir mão da palheta e solar a guitarra com os dedos. Aos 49 anos de idade, Jordan já figura entre os mestres do rigoroso universo jazzístico. Herdeiro de heróis da guitarra como Joe Pass e Wes Montegomery, o fantástico Stanley Jordan faz única e concorrida apresentação hoje às 19h30 no Teatro de Arena do Espaço Cultural José Lins do Rego (R. Abdias Campos, Tambauzinho) e lança seu CD mais recente, “State of Nature”. Informações sobre ingressos podem ser obtidas através dos telefones (83) 3211-629 e 3211-6225. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (para estudantes).

Stanley Jordan será acompanhado por músicos brasileiros como Dudu Lima (baixo acústico e elétrico) e Ivan 'Mamão' Conti (bateria), este último célebre por sua atuação no grupo Azymuth. O trio já está bem afiado pelo fato de terem feito diversas experiência antes de chegaram a João Pessoa. Nascido em Chicago a 31 de julho de 1959 o músico Jordan nunca foi adepto do convencionalismo. Primeiro foi para as ruas tocar nas esquinas, ao ar livre, diferentemente de músicos consagrados do jazz como George Benson, um guitarrista referencial até aderir à música comercial e optar pelo pop-funk romântico.

Mesmo dado a quebra de padrões estabelecidos, Stanley Jordan é um músico com conhecimento acadêmico, se formou em teoria musical e composição pela Universidade de Princeton, mas tinha na alma a liberdade dos músicos de rua. E gostava mesmo de buscar novas experiências e sonoridades, tanto que chegou a fundir seu jazz com uma levada funk em alguns discos.

"State of Nature", que acaba de chegar às lojas americanas (pode ser encontrado no www.cd point.com.br), destacam-se músicas como "Forest Garden", "Prayer for the Sea" e "Ocean Breeze", todas elas com temáticas que falam da natureza e do cuidado que o homem deve ter com seu habitat. Contudo, uma faixa emociona mais, "Song for My Father", que é uma declaração de amor póstuma, a seu pai.
A frase dita por Jordan em meados de sua carreira ("Eu quero ser uma parte de uma nova maneira de fazer as coisas") deixava clara a sua intenção de trazer alguma novidade para o universo do Jazz. E não é apenas a forma como ela toca a guitarra muitas vezes com os dedos, deixando a paleta de lado, mas é também em suas composições que mesclam groove com harmonias elegantes e intrincadas.

Quando estreou em disco em 1985 com "Magic Touch" sabia o que estava anunciando ao mundo, realmente um toque mágico que logo o levou ao panteão de guitarristas como Joe Pass e Wes Montegomery, já citados nesse texto, que foram sem dúvida os maiores gênios desta seara. Um dos melhores discos de Stanley Jordan é "Cornucópia" (1990), e foi lançado no Brasil pela EMI-Odeon trazendo o tradicional selo Blue Note, especializado em jazz. É aqui que Jordan mostra que a possibilidade de fazer o inimaginável, como tocar "Impressions", do lendário saxofonista John Coltrane (in-memoriam) na guitarra, ou gravar "Wath's Going On", clássico do cantor de soul Marvin Gaye (assassinado pelo próprio pai) fazendo tudo soar com suas digitais fortes.

SAIBA MAIS

Quem for ao recital de Stanley Jordan (fotos) hoje no Teatro de Arena do Espaço Cultural deve saber que estará participando da história viva da música mundial. Serão momentos de contato com um gênio que soube ser transgressor sem ultrajar a memória de seus mestres. Ao contrário, Jordan fez com que tradição e modernidade se fundissem sem perda para nenhuma das partes. Com um ganho histórico para o jazz, para a música.

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Coletânea de ensaios

Ângela Bezerra de Castro reúne textos de crítica literária em “Um Certo Modo de Ler”

Ricardo Anísio
Ricardoanisio.pb@diariosassociados.com.br

Existem várias formas de leitura, e de olhar crítico. Disso todos sabemos. O que instiga nosso debate sobre a crítica literária (e de outras artes também, que hora não cabem neste texto) é o fato de nunca sabermos se as opiniões emitidas refletem fielmente o pensamento de quem as escreveu. O livro "Um Certo Modo de Ler", de Ângela Bezerra de Castro, sugere justamente a imparcialidade da avaliação técnica. A obra, que será lançada nesta quinta-feira, às 17h30, no auditório "Des. Sebastião Sinval Fernandes" da Escola Superior da Magistratura, "é uma reunião de ensaios sobre vários autores", segundo definição simples da autora.

Não é foi uma obra construída a toque de caixa como muitas que chegam ao mercado editorial. "São textos que vim escrevendo desde há muitos anos e que fui guardando, para publicar no momento certo; que acho, é agora", disse Ângela Bezerra à equipe do caderno "Show".

Passaram-se 20 anos. Isso mesmo. Ângela passou duas décadas com os textos de "Um Certo Modo de Ler" em barris de carvalho, para nos oferecer seu melhor 'vinho literário'. Porém ela não mudou nenhuma linha do que estava lá nos papéis, e os textos se mostram atualizados e pertinentes. "Não mudaria nada do que escrevi, nenhuma das opiniões que emiti, por isso realmente não alterei nada", diz a autora lembrando que "todos os textos estão intactos, da forma que escrevi á época de publicados".

Ângela Bezerra de Castro avisa que "o livro não todo de críticas literárias e ensaios" e que "tem textos de prefácios e de conferências que realizei". Entenda-se que, em se tratando do senso de autocrítica de Ângela certamente todos os textos seguem uma linha elevada de qualidade, mesmo que ela seja relativista. "Como eram textos para públicos pequenos se eu não os publicasse acabariam de perdendo", pondera.

Nem precisa dizer que as opiniões emitidas pela autora são recheadas de capacidade e isenção. "Nenhum texto meu é de exaltação. Todos são leituras textuais que partem da análise crítica respaldada pela técnica e pela teoria que norteiam a escrita", avisa Ângela. "Mas também não gosto da crítica destrutiva; não concordo com essa prática". A autora de "Um Certo Modo de Ler" entende o exercício crítico como algo mais profundo.

"Mostro os dois lados, positivo e negativo, porque entendo que o tipo de crítica dura e agressiva que tenta destruir, é escrita mais sobre as pessoas (os autores) do que sobre as obras", diz e exemplifica de forma corajosa citando um dos entronados críticos paraibanos: "Virgínius da Gama e Melo certa vez escreveu mal sobre 'A Bagaceira' - romance de José Américo de Almeida - e mais adiante, escrevendo sobre a mesma obra, teceu rasgados elogios", lembra Ângela Bezerra para ratificar a desconfiança que tem da crítica levada para o campo pessoal, e não o da obra pela obra.

E é contestando a crítica e não apenas os criticados (os autores) que o livro de Ângela segue um norte diferente. "Contesto a crítica literária com delicadeza e ainda digo como ela deve ser feita. Tem de ser um exercício estruturado, desapaixonado, sem ranço, e com elementos textuais", garante lembrando que na obra que lança hoje tem textos sobre o livro "Vingança não!", de Francisco Pereira da Nóbrega (história), sobre Oscar de Castro e sobre o Centenário de Osias Gomes, por exemplo.

Ângela diz que o livro "tem muito do meu trabalho acadêmico, onde escrevo sobre figuras que considero da maior importância para as letras da Paraíba, desde Augusto dos Anjos passando por Gonzaga Rodrigues e Luiz Augusto Crispim, esses dois últimos principalmente sobre suas crônicas fantásticas". A obra é dividida em capítulos "para facilitar a sua leitura e delimitar os gêneros utilizados", diz Bezerra de Castro. Certamente, um livro obrigatório, tanto pela honestidade da crítica literária quanto pela maneira elegante e acessível com que ela escreve.

"Gostaria muito de perceber que as críticas publicadas em nossos periódicos fossem todas unicamente sobre as obras, uma avaliação imparcial e profunda sobre o que está escrito, e não sobre quem escreveu". Com esse apelo Ângela Bezerra de Castro implode de uma só vez vários mitos criados (e outros arranhados) pela falta de isenção de quem lida com algo tão delicado e importante como é a emissão de opinião sobre obras de arte.

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As memórias de Barbosinha

O jornalista e escritor paraibano Sebastião Barbosa autografa, hoje, às 18h, no Restaurante Sagarana, na Avenida Cabo Branco, o livro "O Cotidiano de um Repórter - A História que Vivi", publicado pela Editora da UEPB em parceria com a Associação Paraibana de Imprensa (API).

Comemorando meio século de atividades jornalísticas, a maneira mais pertinente que Sebastião Barbosa (conhecido pelos colegas de profissão como Barbosinha) encontrou para não deixar a data passar em branco foi lançando um livro justamente com relatos de repórter. "O Cotidiano de Um Repórter - A História que Vivi" não é literatura, mas sim o relato de um jornalista que nunca se esquivou da denominação de repórter, sempre em busca de furos, sempre atento ao que acontece à sua volta.

E isso Barbosa fez como poucos: viveu intensamente a busca da reportagem mais importante, denunciativa. " É uma espécie de autobiografia, fala dos meus 50 anos de atividade jornalística de
completados em maio último - e de fatos do cotidiano da política, da administração, da sociedade e de outros setores da vida paraibana e brasileira" define Sebastião Barbosa.

Quarto livro da lavra de Barbosa "O Cotidiano de Um Repórter" viaja no tempo e fala de importantes matérias feitas pelo autor. Uma delas é o assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves, cujo esposo Cassimiro é tio do repórter-escritor. A tragédia motivou um dos livros mais polêmicos de Barbosinha, "A Mão Armada do Latifúndio - Margarida, quantos ainda Morrerão?".

O autor publicaria ainda "Brasil o País da Impunidade" e "Jogo da Verdade", obras esgotadas e todas de temas palpitantes e tratados com arrojo. A expectativa para a noite de autógrafos nesta quinta-feira é de um grande público, pessoas ávidas pelo estilo destemido e antenado do repórter Sebastião Barbosa.

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A história esquecida de Manoel de Moraes

O jesuíta Manoel de Moraes protagoniza um capítulo importante da História do Brasil, mas permanece desconhecido da maioria dos brasileiros. Quem jorra luz sobre este personagem é o professor e historiador carioca Ronaldo Vainfas, que lança, hoje, o livro "Traição - Um Jesuíta a Serviço do Brasil Holandês Processado pela Inquisição" (Companhia das Letras). O evento acontece, às 19h30, no auditório do Zarinha Centro de Cultura, na Avenida Nego, 140, Tambaú.

Ronaldo Vainfas está na capital paraibana para participar do Simpósio "As Múltiplas Faces do Padre Antônio Vieira", promovido conjuntamente pelos Programas de Pós-Graduação em Letras e História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Instituto Padre Gabriel Malagrida.

"Traição" conta a história de Manoel de Moraes, nascido em São Paulo no final do século XVI. Ele foi missionário em Pernambuco e teve sua vida profundamente alterada no contexto da conquista do Nordeste açucareiro pelos holandeses. Na invasão de Pernambuco pelas tropas holandesas, em 1630, ele tornou-se um combatente, mas passou para o lado holandês em 1634, traindo a resistência.

Informante e capitão das forças holandesas, Manoel de Moraes acabou se mudando para a Holanda, onde trocou o catolicismo pelo calvinismo. Casou, teve filhos, e dedicou-se a várias atividades. O jesuíta, no entanto, não era apenas um aproveitado: o abandono de sua fé o atormentava, e o medo da Inquisição o apavorava.

Em 1643, Manoel de Moraes resolveu fazer o caminho de volta, mesmo tendo sido julgado e condenado à revelia pelo tribunal da Inquisição. Em "Traição", Ronaldo Vainfas apresenta o jesuíta como um anti-herói que "namorava a heresia, neste tempo, mas se casou mesmo com a traição", passando a ser uma estrela "de uma constelação de traidores e colaboradores", entre os quais se destacou o famoso Domingos Fernandes Calabar.

"Sua história nos leva a percorrer as atribulações de um homem dilacerado entre a busca de riqueza e a salvação da própria alma, entre o trabalho e a aventura", ressalta o professor.

Sobre o autor

Ronaldo Vainfas nasceu no Rio de Janeiro em 1956. É professor titular do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, onde ingressou em 1978. Doutor pela Universidade de São Paulo, estudioso da Inquisição Portuguesa, publicou diversos livros e artigos sobre o assunto, entre eles, "A Heresia dos Índios" (Companhia das Letras, 1995).

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A metalingüística do amor

Guel Arraes brinca com o cinema, o teatro e a televisão na tragicomédia “Romance”, o filme

William Costa
Editor do Show

Se o cinema é, também, diversão, o novo longa-metragem do diretor pernambucano Miguel Arraes, "Romance", é uma delícia de entretenimento. O filme teve pré-estréia anteontem, em João Pessoa, em sessão exclusiva para convidados, que aplaudiram com certo acanhamento, talvez pelo caráter oficial do evento, a inteligente, criativa, crítica, irônica, bem-humorada e econômica trama urdida por Arraes com seus fotogramas.

Trata-se de um filme inspirado na lenda celta de "Tristão e Isolda", cujos fragmentos mais antigos datam do século XII. Seria, portanto, mais uma adaptação cinematográfica desta bela e trágica história de amor, a exemplo do que fez o inglês William Shakespeare, no teatro, com "Romeu e Julieta", não fosse a fértil imaginação de Arraes, que, para usar uma palavra da moda, quebrou paradigmas.

"Romance" é metalingüístico. Wagner Moura e Letícia Sabatella, os protagonistas, interpretam, na tela, dois atores de teatro, Pedro e Ana, que se apaixonam durante a montagem de "Tristão e Isolda", num teatro pobre de uma grande cidade. A crise do amor começa quando Ana é contratada para fazer novela na televisão e Pedro, contrariado, a dispensa, argumentando que é impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

A linguagem, claro, é a do cinema, mas a construção de textos para teatro e televisão e a produção, montagem e gravação de peças e novelas formam o novelo que enreda os personagens numa trama "real" e "imaginária" cujos cenários, também emblemáticos, são polarizados pelo grande, competitivo e individualista centro urbano e o inóspito, pedregoso, espinhento e solidário interior do sertão.

As transformações históricas do conceito de amor são discutidas, no plano "real", por Ana e Pedro. Já as dificuldades do fazer teatral e as idiossincrasias da televisão são mostradas com ironia e bom humor, principalmente nas falas da produtora Fernanda (Andréa Beltrão). Ana faz sucesso na TV, e Pedro continua apresentando suas peças para um público cada vez menor, até ser convidado por Ana para dirigi-la num especial de TV a ser rodado no sertão.

Aqui, é clara a referência ao romance "A História do Amor de Fernando e Isaura", a versão sertaneja de "Tristão e Isolda" que marca a primeira experiência do escritor paraibano Ariano Suassuna na prosa de ficção. Sob direção geral do afetado e "platinado" Danilo (José Wilker), a gravação do especial de TV é marcada pelo quadrângulo amoroso que envolve Ana, Pedro, Fernanda e Orlando (Vladimir Brichta).

O final do filme é genial. A primeira impressão é que ele quebra o ritmo da narrativa. Mas é proposital. Na verdade, são três ou quatro finais, mas não vou contá-los. Digo apenas que o "fim" mostra as dificuldades que - assim como eu agora - os autores enfrentam na hora de "fechar" as histórias que criaram, e é o momento metalingüístico por excelência de "Romance", quando, no grande acerto de contas, "realidade" e "mentira" se separam, e vence o amor.

Solenidade

O governador Cássio Cunha Lima, o presidente da Funesc, Antônio Alcântra, o diretor Guel Arraes, a produtora Paula Lavigne e a atriz Letícia Sabatella participaram da solenidade de lançamento de "Romance". O longa-metragem teve parte do roteiro rodado em Cabaceiras, no Cariri, com patrocínio do Governo do Estado.

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Medalha Celso Furtado

(Juarez Farias) saiu, cresceu, realizou e realiza. Orgulha os conterrâneos e habitantes do espaço imenso de Brasil

Zélia Almeida
Economista

O momento - Juarez Farias - chegou. O Conselho Regional de Economia, através da Coordenação do Prêmio Celso Furtado, outorgam a Medalha Celso Furtado a dois economistas: Juarez Farias e Geraldo P. dos Santos. A Solenidade de entrega será dia 20 de novembro, na Fundação Casa José Américo de Almeida. Hoje, me reporto ao economista-professor Juarez Farias, de todos nós.

Comecei a ouvir falar de Juarez, ter notícias sobre ele, quando cursava a graduação em Economia. Meus professores faziam-lhe referências. Secretário de Planejamento do Governo João Agripino, elaborava o primeiro Plano do Governo do Estado. Segundo Juarez, "apenas um programa de investimentos". Fico com a primeira informação: primeiro Plano do Governo do Estado da Paraíba. Pouca gente sabe. Aquela referência se sabe, mas não se fala.

Aquela informação tocou forte, e influenciou-me, pelo constante pensamento voltado as ações do Secretário. Como informação potente, visualizei Juarez Farias em máquina especial, só, ninguém no entorno, vencendo os espaços da Paraíba, combinando localização, água, terra, culturas, produtos e produtividade. Via folhas escritas, aos milhares e sua figura inteligente - teria que ser. Tinha a confiança de, não menos, João Agripino, a quem dediquei meu primeiro voto. Teria que ser pessoa muito especial. Corria o ano 1967/1968.

O Economista Juarez Farias havia acumulado muitos conhecimentos e experiências especiais. Conhecimentos novos no Brasil e fora dele. Nordestino, de Cabaceiras-PB, havia varado fronteiras. Nordestino, de inteligência viva e dialogador especial, sem timidez, consciente de sua própria força, sem manchas ou dúvidas. Digno e admirável homem. O homem que a Bíblia indica. Vai, cresce, desenvolve o teu trabalho que será preciso e precioso hoje e para gerações futuras.

Saiu, cresceu, realizou e realiza. Orgulha os conterrâneos e habitantes do espaço imenso de Brasil. Seus feitos estão registrados. Atua, aconselha, faz críticas construtivas, ensina com sua boa vontade e solidez de princípios. A lucidez deve encantar os inimigos, se é possível haver conseguido tal feito. Na simplicidade não desperta a inveja. Desperta admiração, acolhimento e apreço.

Retornando ao seu mundo profissional, foi elaborar o Modelo de Programação da Comissão Econômica da América Latina (CEPAL) 58/59 e era Diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). Celso Furtado, em certo dia, realiza a Juarez Farias uma visita. Diz: "Vamos para o Nordeste? Vamos para a SUDENE? Só não pago o que o BNDE lhe remunera".

Foi aceito o desafio para estruturar a SUDENE, junto a equipe denominada Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN). Gera o primeiro Plano Diretor liderado pelo criador e primeiro Superintendente da SUDENE, Celso Furtado. Uma nova visão de Nordeste. A visão desenvolvimentista. O Governo JK era o ânimo político e a elite resistência à mudanças. Após a notável fase otimista, fase desenvolvimentista, surgem as turbulências, até o golpe de 64. O trabalho de Juarez ficou acoplado ao de Celso Furtado como paradigma de força e inovação.

Em Brasília, no IPEA em 1971, os professores Pedro Sainz e Santiago, CEPAL/ IPEA citaram em Conferência, nos cursos de Planejamento, a experiência e sucesso da Paraíba, em Planejamento Estadual, liderada por Juarez Farias e sua equipe de base: Secretaria das Finanças e Banco Estadual de Desenvolvimento. Nova surpresa, relacionada a primeira. O primeiro plano, solitariamente elaborado, era também sucesso e exemplo de execução de planejamento, a nível estadual.

De Celso Furtado Juarez Farias diz emocionado: "Nunca tive um Dirigente como ele."

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