Jornal O Norte

João Pessoa, Quarta-Feira, 19 de Novembro de 2008

Pedro Adelson


Segurança Globalizada

"A questão da segurança local passa por uma discussão internacional."

Com o aumento da criminalidade no mundo moderno, especialmente com a competência e eficiência do crime organizado, é preciso pensar, também, com urgência, em soluções em nível internacional para tentar debelar esse grave problema que atinge a cidadania em todos os lugares e países. Com um país produzindo e exportando drogas; outro fabricando e vendendo armas, indiscriminadamente; um terceiro distribuindo terroristas e formando bandidos; esses, ainda, com o maior interesse comercial, no lucro fácil, pois o crime organizado envolve grandes negócios, tornando quase que inúteis as soluções locais. É o caso do Brasil, com imensas fronteiras, sem fiscalização, facilitando a entrada, no país, de drogas, armas, munições e outros descaminhos. Há países apoiando criminosos e recebendo produtos roubados. Afora alguns outros interesses escusos apoiados por organismos legais, que sem fiscalização, protegem e apóiam ações de descaminho e outros delitos. Enquanto isso, as nossas polícias têm a obrigação de trabalhar no varejo, subindo e descendo morros e favelas; fiscalizando estradas, bairros, praças, ruas, rios e costas, praticamente "enxugando gelo", no combate à criminalidade miúda e local. Por isso há necessidade de uma legislação internacional e local que permitam, através de acordos e tratados, a adoção de uma prática de segurança pública apoiada em política social realista para respaldar a eficácia da legislação.

Que sejam dadas mais condições à Justiça para que, com maior celeridade, possa resolver os casos que lhe são submetidos, evitando a demora, a prescrição e, notadamente, a impunidade, que tanto estimula a criminalidade. Com a colaboração internacional, e no lastro de uma legislação penal comparada, bem sucedida no combate à criminalidade e êxito na ressocialização de apenados, torna-se mais fácil investir na segurança e bem-estar do cidadão.

No mundo globalizado, onde a tecnologia desconhece distâncias e fronteiras, onde a imagem dos acontecimentos é exposta em tempo real e em cores, é ilusório pensar-se em ilhas de excelência.

Fazer segurança coabitando com injustiças sociais, com a fome, com o desemprego e a ignorância; com a concentração de renda, com uma população sem saúde e moradia etc.; com o desrespeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, não é tarefa fácil. Fazer segurança ao lado da perda dos valores morais e sociais; na ausência da ética e dos bons usos e costumes, dificultam toda e qualquer melhor atividade de segurança pública.

Permitir aos cidadãos a plenitude dos seus direitos é o grande objetivo que a culta comunidade internacional tem de resolver sob pena do banimento da paz e da ordem nas relações e cotidiano do homem moderno.

Pedro Adelson, secretário da Cidadania e Administração Penitenciária

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