Jornal O Norte

João Pessoa, Quarta-Feira, 19 de Novembro de 2008

Editorial


Vaquejada incômoda

Dependendo do ponto de vista - ou da estratégia de marketing -, a prática da vaquejada pode ser vista como competição, esporte e um megaevento de lazer, a exemplo do que acontece em Campina Grande, para citar apenas um exemplo. Porém, para centenas de moradores do bairro do Valentina, em João Pessoa, vaquejada representa uma só palavra: inferno. Isso porque, desde a instalação no bairro do chamado Parque Cowboy, uma arena de vaquejada onde são realizados ainda shows musicais, a rotina dos que residem nas redondezas mudou - e muito - para pior.

Os motivos são numerosos: trânsito caótico, odor de urina pelas ruas, vandalismo, ocorrências policiais intensas, brigas, buzinas e muito, muito barulho durante as madrugadas, especialmente quando são iniciados os grandes shows musicais ali realizados. Poluição sonora, aliás, é uma especialidade do Parque Cowboy. O local já foi autuado pela Secretaria do Meio Ambiente de João Pessoa (Semam) por não possuir licença ambiental para funcionamento. Segundo a diretora de Controle Ambiental da Secretaria, Ana Lúcia Espínola, falta ao estabelecimento um projeto acústico que resolva o problema da poluição sonora no local.

O projeto até já teria sido aprovado. Representantes da Semam e do próprio Parque Cowboy conversaram sobre o assunto, mas faltou o mais importante passo para que os moradores do Valentina tenham noites menos insones por causa da barulheira: a implantação do projeto. Apesar das denúncias e do alto valor a que pode chegar uma multa por crime ambiental - caso em que se enquadra o Parque-, que varia de R$ 500 a R$ 50 milhões, os proprietários do lugar parecem não estar muito preocupados com isso, já que o estabelecimento funciona graças a uma licença expedida pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).

Enquanto prefeitura e estado (Semam e Sudema) divergem sobre o que é ou não é poluição sonora ou crime ambiental, a população sofre as conseqüências. Para se ter uma idéia da gravidade do problema, uma pessoa submetida a um volume sonoro excessivo por mais de meia hora pode sofrer males como surdez parcial, distúrbios neurológicos elevação da pressão arterial, dos batimentos cardíacos, distúrbios neurológicos, comprometimento auditivo, estresse crônico, náuseas, cefaléias (dores de cabeça), impotência sexual, irritabilidade, ansiedade, perda de apetite e até óbito, dependendo das doenças enfrentadas pela vítima da alta incidência sonora.

Esta semana, o telefone de denúncias da Semam (0800-281-9208) deve receber outras centenas de ligações por noite. Isso porque a partir de hoje tem início uma nova vaquejada no Cowboy, contando, claro, com uma série de grandes shows musicais. Festa para uns, "inferno", como dizem alguns moradores, para outros. Está na hora do Parque se tornar senão um jardim arborizado, como o define o Aurélio, um local que não agrida os que estão ao seu redor.

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