Lembram daquele anúncio em que a primeira lâmina faz tchan? Pois, então? Há poucos dias, abordado por um repórter sobre a possibilidade de uma aliança política entre o governador Cássio Cunha Lima e o prefeito Ricardo Coutinho, o ex-senador Ronaldo Cunha Lima admitiu que na política um entendimento desta natureza é perfeitamente possível. "Desde que se estabeleça um programa comum", ressaltou.
Ontem, em entrevista à TV O NORTE, o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Manoel Ludgério seguiu pela mesma trilha. Disse que as portas estão abertas para a consolidação de uma aliança entre o PSDB e o PSB com vistas às eleições de 2010.
"Não posso falar como líder do governo, mas como deputado estadual entendo que não se pode descartar esta possibilidade, já que o governador e o prefeito da capital mantêm uma boa convivência administrativa. Se esse entendimento existe, por que não poderia ocorrer também na área política?", indagou Ludgério.
Ainda na entrevista, o parlamentar abordou a questão mais complicada para esta equação política: a hostilidade política existente entre o senador Cícero Lucena e o prefeito Ricardo Coutinho. Ele acha que nem isto seria impedimento para uma possível aliança. "Os dois haverão de ter maturidade para acompanhar os avanços dessa composição", avaliou.
Recorrendo a casos semelhantes, o deputado lembrou que os ex-governadores travaram uma acirrada disputa política em 1990, mas depois, em 2002, estiveram juntos no mesmo palanque. "Política é assim", resumiu Ludgério.
Nesta projeção feita pelo líder do governo faltou considerar um ponto que também pode funcionar como uma espécie de obstáculo para o sucesso dessa composição: como ficaria a situação do senador Efraim Morais?
Pré-candidato ao governo, o senador conta com o apoio do PSDB e, sobretudo, do governador Cássio Cunha Lima, a quem apoiou decisivamente nas eleições de 2002 e 2006. Embora Manoel Ludgério não tenha a ele se referido, o senador Efraim Morais é uma peça importante neste xadrez político para 2010.
E por falar em Efraim, ontem o vereador Tavinho Santos se encarregou de dizer, com todas as letras, porque o PTB não vai apoiá-lo para o governo do Estado. "O PTB não apóia o DEM porque está em articulações para se coligar com o PSB do prefeito Ricardo Coutinho, que tem tudo para ser o nosso candidato em 2010".
Tavinho, que é presidente do PTB de João Pessoa, acompanha o mesmo ponto de vista que já foi defendido na imprensa pelo deputado federal Armando Abílio, presidente estadual da legenda.
Leiam a notinha que segue e vejam se o Brasil não é uma verdadeira mãe.
No período de 2000 a 2007, os gastos do governo brasileiro com o pagamento dos juros da dívida pública atingiram a expressiva soma de R$ 1,268 trilhão. Nestes mesmos oito anos, o governo investiu em educação R$ 149,9 bilhões. Ou seja, para pagar juros, o país destinou uma quantia quase nove vezes maior do que os recursos aplicados na área educacional.
Mas não pára por aí não: segundo o levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o governo gastou com saúde pública, em igual período, cerca de R$ 310 bilhões.
Assim, de acordo com o Ipea, o somatório dos gastos da União com educação, saúde e investimentos correspondeu a somente 43,8% do total das despesas com juros.
Bom, já que o assunto é dinheiro, vamos pelo menos a uma boa notícia: até o final do ano, com o pagamento do décimo-terceiro salário, a economia paraibana receberá uma injeção de quase R$ 750 milhões. A estimativa é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese).
Essa grana representa 3,3% do Produto Interno Bruto do Estado e será
21% maior do que total injetado no ano passado. Mais de um milhão de
trabalhadores formais vão receber o abono natalino.
No país, como um todo, o décimo-terceiro representará
uma cifra avaliada em 78 bilhões de reais a mais circulando na economia.
O problema não é o problema. O problema é a atitude que se tem em relação ao problema. (Kelly Young).
início